Depressão e ansiedade: entenda as diferenças e como identificar

Atualizado

Julianna Siciliano de Araújo

Médica de Família e Comunidade

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Depressão e transtornos de ansiedade são condições diferentes, mas podem ocorrer ao mesmo tempo. Reconhecer os sinais ajuda a buscar avaliação e tratamento adequados.

O que é ansiedade?

Ansiedade é uma emoção de alarme muitas vezes associada a sensações de angústia, tensão e insegurança, podendo ser incontroláveis e causar um grande mal estar na pessoa.

Além disso, a  ansiedade provoca diversos sintomas físicos,  tais como:

  • Arritmia / taquicardia;

  • Vertigens ou tonturas;

  • Boca seca;

  • Dificuldade respiratória, entre outros.

A ansiedade também provoca diversas alterações psíquicas, tais como:

  • Reações cognitivas (preocupação excessiva, dificuldades de concentração);

  • Comportamentais (tremores, paralisação), e;

  • Sociais (dificuldades em falar em público, evitar eventos sociais).

O que é depressão?

A principal característica da depressão é uma tristeza intensa e de longa duração.

Estudos apontam que cerca de 350 milhões de pessoas em todo o mundo são atingidas por diferentes tipos de depressão.

Dessa forma, no dia a dia dessa pessoa a depressão começa a comprometer a sua vida, pois a doença passa a interferir em sua capacidade de:

  • Trabalhar;

  • Estudar;

  • Comer;

  • Dormir, e;

  • Realizar outras atividades comuns do cotidiano.

Isso acontece pelo fato de que os sinais e sintomas da depressão incluem, entre outros, a:

  • Modificações no sono;

  • Modificações na fala;

  • Modificações nas capacidades de pensamento;

  • Modificações na memória;

  • Modificações  no raciocínio lógico;

  • Modificações na organização emocional e, em muitas outras.

Qual a diferença entre ansiedade e depressão?

Dessa forma, podemos dizer que a ansiedade é, de modo geral, um fator frequente e importante nos quadros depressivos.

O DSM-5 (Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) e a CID-11 (Classificação Internacional de Doenças) propõem que se distinga uma forma de depressão, geralmente moderada ou grave, com marcante componente de ansiedade, tensão e inquietação psicomotora, chamada depressão ansiosa ou depressão agitada.

Os sintomas são:

  • Nervosismo;

  • Insônia;

  • Irritabilidade;

  • Dificuldade para se concentrar devido a muitas preocupações;

  • Medo de que algo horrível possa acontecer;

  • Pensamentos de morte ou suicídio.

É importante destacar que a ansiedade é uma emoção normal e, é um indicador de doença somente quando os sentimentos se tornam excessivos, obsessivos e se interferirem na vida cotidiana.

  • Seus sintomas podem levar a um transtorno de ansiedade se forem:

  • Grave ou durar muito tempo;

  • Desproporcional à situação em questão;

  • Causar taquicardia, suor frio, tremores, desconforto respiratório ou sensação de asfixia, náuseas, formigamentos em membros, dedos e/ou lábios.

Ansiedade pode estar associada à depressão?

Sim, mas não existe uma progressão obrigatória de ansiedade para depressão. Elas não são sentimentos opostos: são condições distintas que podem compartilhar fatores de risco.

Dessa forma, é bem normal as pessoas que sofrem de ansiedade acabam desenvolvendo depressão, por serem  sentimentos opostos, o indivíduo na tentativa de se manter em equilíbrio acaba variando entre os sintomas de um e outro.

Quem tem ansiedade também tem depressão?

Não necessariamente, pelo fato de que o que acontece é que ambas as doenças são doenças comórbidas uma da outra,ou seja, a pessoa pode desenvolver ambas ao mesmo tempo, aumentando o risco para o indivíduo.

Por que a ansiedade causa depressão?

A tristeza é um sentimento momentâneo, que acaba passando em pouco tempo, agora, quando a pessoa está com depressão, tal tristeza perdura sem que a pessoa consiga encontrar uma solução para o sentimento.

Como se sente uma pessoa com depressão e ansiedade?

A ansiedade e depressão são doenças que causam muito além de problemas psicológicos, pois elas podem apresentar sintomas físicos, que variam conforme o grau da doença.

Assim, na ansiedade os sintomas físicos mais frequentes são:

  • Suor excessivo;

  • Falta de ar causada por de respirações rápidas de nervosismo ou crises de pânico;

  • Taquicardia que é o aumento da frequência cardíaca que pode gerar dor no peito pela alta frequência;

  • Tremores pelo corpo em decorrência do sofrimento psíquico;

  • Náuseas;

  • Cansaço muscular e até mesmo cores musculares pelo corpo;

  • Queda de cabelo pelo estresse;

  • Problemas digestivos que podem estar associados a ganho ou perda de peso e tonturas.

Agora, a pessoa com depressão se sente da seguinte forma:

  • Dores espalhadas pelo corpo;

  • Lágrimas e choro frequente pelas mudanças repentinas de humor;

  • Dor de cabeça;

  • Aperto e dores no peito;

  • Fraqueza no corpo, em especial nas pernas;

  • Alterações no ciclo de sono e do apetite, podendo causar ganho ou perda de peso;

  • Diminuição do desejo sexual em especial pela sensação de angústia e desmotivação.

Depressão e ansiedade na pandemia

A pandemia de Covid-19 causou o aumento mundial de  distúrbios como a depressão e a ansiedade. De acordo com uma pesquisa divulgada, foram cerca de 53 milhões de novos casos de depressão e 76 milhões de ansiedade somente no ano de 2020.

Entre os grupos que foram mais afetados estão as mulheres e os jovens e os países que foram mais atingidos pela pandemia também tiveram os maiores aumentos nos registros desses distúrbios. O principal autor da pesquisa, o pesquisador Damian Santomauro, da Universidade de Queensland, nos Estados Unidos, disse que, mesmo antes da pandemia, os sistemas de atenção à saúde mental na maioria dos países apresentavam falhas históricas como a falta de recursos e de organização para a oferta de serviços. De acordo com ele, o estudo destaca o fortalecimento dos sistemas de saúde mental para que pudesse absorver a demanda crescente dos transtornos de depressão e ansiedade em todo o mundo.

De acordo com a psicóloga Karen Scavacini, da Associação Brasileira de Estudos e Prevenção do Suicídio (ABEPS), o aumento do acesso da população a serviços gratuitos especializados em saúde mental é essencial para o acompanhamento da tendência de alta dos distúrbios.

Ansiedade e os pensamentos negativos

No entanto, a ansiedade passa a ser patológica quando despertam sentimentos exagerados, desproporcionais às situações e interferem na qualidade de vida, conforto emocional e desempenho nas atividades diárias.

Como identificar se a ansiedade é patológica?

A ansiedade passa a ser patológica quando os acontecimentos ainda não existem ou quando não possuem a possibilidade de existência, necessitando de ajuda profissional para conseguir lidar com as situações do dia a dia.

Fatores de risco associados à ansiedade

Os principais fatores associados ao desenvolvimento dos transtornos de ansiedade são:

  • Vítimas de assalto;

  • Vítimas de “bullying” no trabalho ou escola;

  • Abuso sexual.

O que é Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)?

Os Transtornos de Ansiedade Generalizada consiste em uma doença mental com os seguintes sintomas:

  • Tensão motora: tremores, incapacidade de relaxar, fadiga e cefaléia;

  • Sintomas de hiperatividade: palpitações, sudorese, tontura, falta de ar, irritabilidade e dificuldades de concentração;

  • Mudança de humor: pensamentos e expectativas negativas.

Mas é sempre importante afastar as causas orgânicas para os sintomas apresentados.

Tipos de ansiedade

Existem dois tipos de ansiedade: a ansiedade-estado e a ansiedade-traço.

Ansiedade-estado

A ansiedade-estado está relacionada a um momento ou situação particular, como por exemplo  a entrada na universidade.

Ansiedade-traço

Já a ansiedade-traço está associada às características individuais de como reagir às adversidades da vida.

Esse tipo de ansiedade está vinculado com a personalidade de cada um, sendo importante não ter comparações entre as pessoas para não piorar os sintomas associados.

Dicas para controlar a ansiedade

  • Praticar atividades físicas como hábito do cotidiano;

  • Reduzir o estresse diário, com meditação, ioga, leitura e atividades de lazer;

  • Controlar a respiração;

  • Evitar pensamentos negativos e criar afirmações diárias para motivar o bom desempenho;

  • Manter o foco de atenção no presente;

  • Seja mais organizado;

  • Planeja estar com quem você ama e fazendo o que gosta nos momentos de lazer;

  • Dedique um tempo para você;

  • Adquire a autoconfiança e fortaleça o autoconhecimento.

Quais são os graus de gravidade da depressão?

Leve, moderada e grave são classificações de gravidade, não fases obrigatórias de evolução. O tratamento é individualizado.

Fase leve: Aparecem poucos sintomas e menos graves, podendo causar incômodos e uma sensação bem forte de tristeza, mas não chega a ser incapacitante.

Fase moderada: Essa é uma fase intermediária, em que os sintomas são mais fortes que os da fase anterior e mais fortes que o da fase seguinte.

Fase grave:  Nessa fase, a pessoa precisa, na maioria das vezes, de um acompanhamento mais de perto, bem como um tratamento que envolve a psiquiatria e psicologia.

Fatores de risco associados à Depressão

  • Histórico familiar;

  • Estresse crônico;

  • Ansiedade crônica;

  • Disfunções hormonais;

  • Dependência de álcool e drogas ilícitas;

  • Traumas psicológicos;

  • Doenças cardiovasculares, endocrinológicas, neurológicas, neoplasias entre outras;

  • Conflitos conjugais ou a perda do cônjuge;

  • Mudança brusca de condições financeiras e desemprego.

Como identificar o transtorno depressivo?

  • Humor depressivo: o paciente apresenta sensação de tristeza intensa, autodesvalorização e apresenta sentimento de culpa. Além disso, relata o sentimento de vazio e o mundo é visto sem cores. Os pensamentos suicidas são comuns nesse sintoma e variam desde o desejo de estarem mortos até o planejamento em se matar.

  • Falta de energia;

  • Insônia e sonolência;

  • Redução do apetite;

  • Redução do interesse sexual;

  • Dores e sintomas sistêmicos: mal estar, cansaço, queixas digestivas, dor no peito, taquicardia e sudorese.

Medidas para prevenção do humor deprimido

Como diz a citação latina: “ mens sana in corpore sano”, que significa “uma mente sã em um corpo são”, reforça a ideia que é essencial manter uma vida saudável.

  • Praticar atividades físicas regularmente;

  • Criar momentos de lazer;

  • Evitar o consumo de álcool;

  • Não usar drogas ilícitas;

  • Manter rotina de sono regular e não ter privação de sono;

  • Procurar ajuda para ter um espaço aberto para a escuta.

Como tratar a depressão e ansiedade?

Além de utilizar medicamentos ou fazer psicoterapias para o tratamento da ansiedade, existem formas naturais que os médicos especializados em saúde mental podem indicar.

  • Algumas delas são:

  • Atividades físicas;

  • Controlar a respiração;

  • Reduzir o estresse;

  • Evitar pensamentos negativos;

  • Frases de amor, além de muitos outros.

Em casos mais graves, a internação psiquiátrica contra depressão é uma forma de tratamento diferenciada que deve ser feita em um local onde a pessoa tenha melhores condições de  lidar com sua doença.

Assim, o tempo é definido pelo médico psiquiatra responsável pelo caso e que irá elaborar o projeto terapêutico, ou seja, as formas de tratamento que o paciente precisará durante a internação, além do acompanhamento de outros profissionais.

Hábitos que podem apoiar o tratamento

Além de fazer um acompanhamento médico e as sessões de psicoterapia, algumas atividades podem ajudar a curar a depressão.

Atividades prazerosas e hábitos saudáveis podem apoiar o bem-estar, mas não garantem cura nem substituem o acompanhamento profissional.

Separamos algumas atividades que podem ajudar na cura da depressão

Conheça a Conexa Corporate

  • Teleorientação 

Com a pandemia do novo coronavírus, passamos a perceber o quanto a telemedicina pode, sim, ser incorporada no dia a dia. Principalmente para questões menos complexas, isso pode ser importante para o acompanhamento de patologias complexas e que tenham profissionais mais especializados em outras localidades.

A Conexa Corporate oferece essa opção para os seus clientes, de forma que eles possam ter as intervenções necessárias com os melhores da área e, assim, ter melhor qualidade de vida. E isso interfere positivamente na empresa, que terá colaboradores mais saudáveis.

  • Telepsicologia Conexa Saúde 

A saúde mental tem se tornado cada vez mais importante nas empresas, afinal, doenças como Burnout, depressão, ansiedade, entre outras, são grandes causas de afastamentos, fazendo com que o índice de turnover de sua empresa possa aumentar ao longo do tempo e causar problemas.

  • Conexa in Company 

O Conexa in Company é o acompanhamento das questões de saúde dos colaboradores internamente. Algumas das funções que estão presentes aqui são:

  • Plataforma Conexa Saúde 

E isso tudo é realizado com protocolos de segurança presentes na plataforma, garantindo a privacidade dos dados, principalmente, dentro do que a LGPD estipula para esses casos. Isso é fundamental, principalmente, pois envolve dados sensíveis.

Conclusão

Como vimos no decorrer deste artigo, a ansiedade e a depressão são doenças muito parecidas e por isso elas  podem andar juntas, entretanto, como falado durante o texto elas apresentam consequências diferentes na vida da pessoa.

Procure ajuda profissional se houver sofrimento ou prejuízo na rotina. Em risco imediato de suicídio ou autoagressão, procure um pronto-socorro ou ligue 192. O CVV oferece apoio emocional pelo 188.

Quem orienta

Julianna Siciliano de Araújo

Médica de Família e Comunidade

Médica formada pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, especialista em Medicina de Família e Comunidade pela SMS/RJ. Atua há 4 anos na Atenção Primária à Saúde, com foco na prevenção e tratamento de doenças em regiões de alta vulnerabilidade. Mestre e doutora em Ciências pelo IOC/Fiocruz.

Quem orienta

Julianna Siciliano de Araújo

Médica de Família e Comunidade

Médica formada pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, especialista em Medicina de Família e Comunidade pela SMS/RJ. Atua há 4 anos na Atenção Primária à Saúde, com foco na prevenção e tratamento de doenças em regiões de alta vulnerabilidade. Mestre e doutora em Ciências pelo IOC/Fiocruz.